Editorial - Único e solitário na esquerda
Democracia não deveria ser a escolha de quem grita mais alto, ameaça mais ou promete construir mais presídios. Deveria ser, antes de tudo, a oportunidade de escolher que país queremos construir — e que futuro queremos oferecer às próximas gerações.Por Redação Catarinorte
Segunda-feira, 24 de agosto de 2026 11:59Lula não compareceu ao debate da Band. Sua ausência pode ter evitado aquilo que provavelmente seria o principal alvo da noite: o candidato que, além de liderar as pesquisas, carrega sobre si o peso de representar, praticamente sozinho, o campo da esquerda na disputa.
Seria atacado pelos cinco adversários. E não apenas por sua trajetória política, mas sobretudo por aquilo que seu governo representa.
Flávio também não foi. Não foi porque seria atacado por Lula e pelos demais candidatos e, certamente, teria dificuldades para responder a muitas das perguntas que lhe seriam feitas. Zema não compareceu, não se sabe exatamente por quê — e talvez nem ele mesmo saiba explicar.
Há, porém, uma curiosa mudança no discurso dos adversários de Lula. Programas sociais como o Bolsa Família e as políticas de combate à fome, durante muito tempo tratados por setores da direita como “esmola” ou incentivo à acomodação, passaram a ser incorporados, com diferentes roupagens, aos discursos eleitorais de seus próprios críticos.
É uma transformação reveladora. C
Enquanto isso, o discurso de parte da direita parece apostar cada vez mais na segurança pela punição. Flávio, por exemplo, já sinaliza que pretende tratar parte de seus próprios eleitores como terroristas. E, na corrida eleitoral, multiplicam-se as promessas de construção de penitenciárias pelo país.
Lula aponta em outra direção: escolas infantis, escolas técnicas e universidades. De um lado, a ampliação do sistema prisional como resposta aos conflitos sociais; de outro, a educação como instrumento de transformação.
É nesse cenário que surge Augusto Couri como uma exceção dentro do campo da direita. Intelectual, equilibrado e lógico, apresenta propostas que podem ser debatidas sem recorrer ao ódio, à demonização do adversário ou à exploração do medo.
Talvez seja justamente isso que esteja faltando nesta eleição: menos guerra política e mais ideias.
Porque democracia não deveria ser a escolha de quem grita mais alto, ameaça mais ou promete construir mais presídios. Deveria ser, antes de tudo, a oportunidade de escolher que país queremos construir — e que futuro queremos oferecer às próximas gerações.